O mundo de Tadica Veiga e seus bonecos gigantes me encantou desde
o primeiro contato, em 2002, quando visitei pela primeira vez o
Museu do Boneco Animado, em São José dos Pinhais/PR. Uma amiga,
Sheylli Caleffi, me levou até lá com meus filhos ainda crianças,
Isabel com 9 anos e Giordano com 5. Ficamos fascinados, era um
universo mágico e cheio de vida. Naquela época, a Escola Livre
de Teatro, que funcionava no mesmo espaço, já tinha centenas de
alunos. Tadica desenvolvia junto com seu companheiro de jornada,
Joelson Cruz, o projeto
"O Boneco e a Sociedade".
Logo depois, nas voltas da vida, perdemos o contato. Fomos nos
reencontrar em 2019, quando Tadica estava divulgando seus
'dedoches' no Instagram e eu já era avó. Fui até o
ateliê novo deles comprar alguns bonecos e conheci melhor a
história da Cia dos Ventos, uma fênix persistindo no trabalho de
encantar públicos. Fiquei comovida com tudo o que eles tinham
passado e decidi fazer um filme para contar essa história. Assim
nasceu "Os 80 Gigantes", um documentário que fala de
arte e resistência; memória e persistência. Depois de realizar
o filme, foi um enorme prazer termos a oportunidade de
apresentá-lo ao público neste projeto de distribuição.
Joana Nin
"Os bonecos gigantes, que coisa linda! Os artistas gigantes, que coisa linda!"
Música "Todos Felizes", de Joelson Cruz.
Santo de casa não faz milagre, mas traz felicidade. Espero que as pessoas assistam e se sintam tocadas porque também é a história delas, de um passado muito recente. Eu me sinto honrada em estar nesse filme e de contar essa história, mesmo tendo uma mácula indelével no meu coração por todos os artistas que não se formaram, por todos os bonecos que não existem mais”
A história da Cia dos Ventos e dos Gigantes é muito parecida com a da maioria dos artistas brasileiros: uma trajetória de luta e resistência. Me identifico demais com isso porque no cinema temos dificuldades muito semelhantes; a arte é um eterno balé entre o viver e o sobreviver. Fiz esse filme para eles, mas também para o público ter a oportunidade de abraçá-los eternamente.”
O documentário mostra os bonecos suspensos no palco, em um espaço simbólico: o mesmo teatro do qual a companhia havia sido expulsa anos antes.
O mais interessante era ver materiais simples – isopor, cola, papelão, tinta – se transformarem na exuberância dos bonecos gigantes.
Sessão Especial e debates com os personagens do filme no Cine Passeio.
O projeto de distribuição começou com o desejo de construir uma "casa dos gigantes", um espaço que reunisse moradia e ateliê para a Cia dos Ventos. Arquitetos e estudantes da EMAU-UP e da UFPR realizaram levantamentos técnicos e elaboraram os primeiros croquis. Com o avanço dos estudos, ficou claro que a obra exigiria demolições e afastaria a companhia de seu espaço de trabalho e de vida por muitos meses, além de demandar um investimento inviável. Em diálogo com a companhia, decidiu-se encerrar essa etapa. A Cia dos Ventos então propôs transformar a ação em um livro sobre seus 30 anos, e um crowdfunding chegou a ser lançado, mas não foi dessa vez. O projeto continua vivo, à procura de novas oportunidades
Ainda antes da pré-estreia em Curitiba, o filme ganhou sua
primeira exibição de impacto com debate, no âmbito da campanha,
em terras estrangeiras: no ateliê da companhia Agua, Sol y
Sereno, em Porto Rico. O encontro aproximou duas famílias de
artistas que dividem modos de vida semelhantes, houve um
reconhecimento imediato e sem fronteiras.
Em fevereiro de 2024 chegou o grande momento: 130 pessoas
tiveram a oportunidade de assistir o filme num telão na Praça
Generoso Marques, no centro de Curitiba, em sessão realizada
em parceria com o Sesc Paço da Liberdade. Enquanto esperava, o
público dançou com os gigantes do bloco curitibano Garibaldis
& Sacis, cujos bonecos foram produzidos pela Cia dos
Ventos. Este grande evento deu o tom da campanha de impacto
que percorreu o estado durante os 3 meses seguintes.
Registro da pré-estreia em Curitiba/PR, em 14 de fevereiro
Foto do publico assistindo a sessão especial do filme no Cine Passeio em Curitiba
Em paralelo à campanha de impacto social, fizemos uma carreira em salas de cinema pelo estado do Paraná, além de salas no Rio de Janeiro e São Paulo e algumas outras praças. Chegar ao circuito comercial é sempre um enorme desafio para filmes independentes, especialmente os documentários. Concorremos espaço com o cinema americano e com os cerca de 200 filmes brasileiros lançados anualmente e conseguimos entrar em cartaz em 11 salas ao longo de 6 semanas cinematográficas. Esse é um excelente resultado para o perfil do nosso lançamento.
O filme "os 80 Gigantes" teve diversas sessões com
acessibilidade, essa foi uma atenção constante no projeto desde
a pré-estreia, em fevereiro de 2025 no evento realizado na
praça em frente ao Sesc Paço da Liberdade, até o último evento
da campanha, dedicado especialmente a este público, realizado no
Sesc Centro, em Curitiba, em agosto de 2025. Em ambas as
sessões, além dos recursos do filme - audiodescrição, legendas
descritivas e Libras - montamos também estandes sensoriais, onde
o público com deficiência visual teve acesso aos bonecos do
filme e suas réplicas em miniatura para que pudesse tocá-los.
Houve também o acompanhamento de profissionais de audiodescrição
para pessoas surdas, com fones especialmente preparados e
atendimento individualizado.
Essas foram oportunidades de aprendizado também para a equipe da
Sambaqui Cultural, que tem buscado reconhecer este público para
além das exigências legais. Realizar escuta e trocas fará que,
num futuro próximo, possamos oferecer recursos de acessibilidade
em nossos filmes com maior efetividade e usabilidade facilitada.
Temas: Teatro de bonecos, família, arte, cultura, história do teatro paranaense.
Os 80 Gigantes é um documentário que acompanha a trajetória da
Cia dos Ventos, companhia de teatro fundada por Tadica Veiga e
Joelson Cruz há 30 anos.
O filme mostra a luta de uma família para fomentar e manter viva
a arte bonequeira, atuando em conjunto com a sociedade.
O sonho de um casal de artistas de teatro de bonecos e seu mundo
fantástico, construído em parceria com a comunidade, desmorona
quando uma grave crise os leva a um evento trágico.
O projeto social "O Boneco e a Sociedade" chegou a
impactar mais de 28 mil alunos nos dez anos de existência, mas
foi descontinuado ao sabor das pendengas políticas municipais,
deixando desalojada a família e também Os 80 Gigantes.
No filme, a Cia dos Ventos se reinventa, relembra seu passado
cheio de alegrias e tristezas enquanto monta um novo espetáculo.
Total de público atingido na distribuição comercial: 1.461
Fazer um documentário chegar ao seu público-alvo é um trabalho de
formiguinha: para ser efetivo, precisa de tempo e recursos
adequados. O fato do filme ter uma temática que parte de uma
demanda local - cidade do interior do PR - é um complicador.
Tivemos dificuldade em fazer as pessoas entenderem que o filme
falava também sobre como nós, artistas, enfrentamos dificuldades
diárias em nosso ofício. Isso transcende à realidade de uma
companhia de teatro específica, mas o público só percebe isso
quando vê o filme.
Além disso, embora bonecos não sejam exclusivos para crianças, seu
apelo infantil é inegável, e nosso filme não é infantil. Tentamos
classificação indicativa livre, mas obtivemos 10 anos no Ministério
da Justiça. Isso dificultou ações em algumas escolas, sobretudo as
municipais. Também foi desafiadora a campanha de crowdfunding, que
não teve o resultado esperado. Ela foi remodelada ao longo do
projeto para ser mais barata, mas mesmo assim, não arrecadou o
valor proposto e tudo foi devolvido pela plataforma aos
incentivadores.
A pré-estreia, realizada na Praça Generoso Marques, em Curitiba, foi
o ponto alto do lançamento. Havia 130 pessoas na praça; a exibição
foi gratuita e acessível e ainda promoveu ações específicas de
acessibilidade. A presença de integrantes do Garibaldis & Sacis
transformou o evento num carnaval de rua fora de época. Foi muito
lindo mesmo. Também vale destaque ao projeto escola, especialmente
as sessões realizadas em Castro e Irati. Os debates realizados em
Cascavel, Londrina, Maringá, Campo Mourão e outras cidades também
atraíram um público realmente interessado. E, por fim, uma sessão
acessível no encerramento da campanha foi uma conquista: abrir
espaço para ouvir pessoas com deficiência sobre a efetividade dos
recursos que estamos oferecendo em nossos filmes foi um privilégio.
Lições: Dedicar cada vez mais verba
para ingressos de sustentação e para mídia paga. Começar antes a
campanha nas redes sociais.
Pontos positivos: o filme se tornou
bem mais conhecido não apenas no Paraná, mas em todo o Brasil; a Cia
dos Ventos melhorou sua autoestima a partir do lançamento do filme.
Pontos negativos: não foi possível
obter sucesso no crowdfunding; ainda é difícil atrair o público
acessível.
Para o lançamento do filme, foram produzidas três miniaturas de
40 cm dos bonecos gigantes criados durante as gravações —
Marrie, Mariá e José. Como transportar os bonecos originais não
é simples, as miniaturas permitiram ao público visualizar os
personagens que aparecem nas telonas.
Nas sessões acessíveis, elas também tiveram um papel
fundamental: possibilitaram que pessoas com deficiência visual
tocassem os bonecos, conectando o tato às vozes que ouviram no
filme.
Além disso, foram produzidos dedoches dos personagens para
distribuição nas primeiras sessões, assim como marca-páginas
ilustrados com imagens do filme.
Trabalho decente e crescimento econômico: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos.
Redução das desigualdades: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
Equipe de distribuição · campanha de impacto & lançamento comercial
Produção e Distribuição ·
Sambaqui Cultural;
Direção Geral · Joana Nin;
Produção Executiva ·
Sabrina Trentim;
Assistente de Produção Executiva ·
Paty Muri;
Programação de Salas de Cinema ·
Letícia Santinon;
Produção de Impacto ·
Débora Zanatta;
Assistente de Produção de Impacto ·
Elisa Cordeiro e Nátali Manfrin;
Marketing Digital · TNB.studio;
Trailer · João Gila Vídeos;
Registros ·
Senpai Produções Audiovisuais;
Tráfego Pago ·
Heurystica Assessoria;
Redatora · Mariana Soeiro;
Assessoria de Imprensa ·
Lídia Ferreira.
Ficha técnica do filme · Os 80 Gigantes
Direção e Roteiro · Joana Nin;
Pesquisa · Sandra Nodari;
Direção de Fotografia ·
Gui Morilha;
Som Direto · Tulio Borges;
Direção de Produção e Assistência de Direção ·
Téia Werner;
Dramaturgia e Música (Cia dos Ventos) ·
Joelson Cruz;
Direção de Arte (Cia dos Ventos) ·
Tadica Veiga;
Participação ·
Equipe Cia dos Ventos;
Edição de Som ·
Cesinha Mattos e Marcelo Bolsarini;
Mixagem · Cesinha Mattos;
Montagem ·
Lucas Cesario Pereira;
Produtor de Finalização ·
Ade Muri;
Foto Still · Joana Nin.